segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Ocaso

Renato Máspero

Vou lhes contar neste ensejo
Tudo que no mundo eu vejo
E que vem me amargurar

Vejo as matas desbastadas
Vejo eiras tão prendadas
Sem ninguém para plantar

Vejo que os animais
Quase não existem mais
Nas florestas e no mar

Vejo no clarão da Lua
Gente triste pela rua
Procurando disfarçar

Vejo o povo em desespero
Sem vontade e sem esmero
Sem saber por onde andar

Vejo vícios nos infantes
Sodomia nos amantes
Só não vejo a paz de um lar

Vejo pragas pela Terra
Vejo enchentes, vejo a guerra
E poluição no ar

Vejo à volta dos altares
Promitentes aos milhares
A rezar e a implorar

Vejo a esperança fugida
A vagar, quase sem vida
Sem vontade de voltar

Vejo o pranto dos profetas
Dos artistas, dos poetas
Que não têm o que louvar

Vejo a nossa juventude
A esperar que alguém ajude
E ela só quer estudar

Vejo a velhice cansada
Trabalhando, sem ter nada
Pra poder se abrigar

Vejo a morte em cada esquina
Traz o medo e nos ensina
Que a gente deve calar

Vejo irmãos que se devoram
Combatendo, enquanto choram
Sem saber por que matar

Vejo a malfadada sorte
De uma raça que foi forte
Se tornar fraca e vulgar

É tão forte o meu desejo
De ver tudo que hoje eu vejo
De repente se acabar

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