Renato Máspero
Vou lhes contar neste ensejo
Tudo que no mundo eu vejo
E que vem me amargurar
Vejo as matas desbastadas
Vejo eiras tão prendadas
Sem ninguém para plantar
Vejo que os animais
Quase não existem mais
Nas florestas e no mar
Vejo no clarão da Lua
Gente triste pela rua
Procurando disfarçar
Vejo o povo em desespero
Sem vontade e sem esmero
Sem saber por onde andar
Vejo vícios nos infantes
Sodomia nos amantes
Só não vejo a paz de um lar
Vejo pragas pela Terra
Vejo enchentes, vejo a guerra
E poluição no ar
Vejo à volta dos altares
Promitentes aos milhares
A rezar e a implorar
Vejo a esperança fugida
A vagar, quase sem vida
Sem vontade de voltar
Vejo o pranto dos profetas
Dos artistas, dos poetas
Que não têm o que louvar
Vejo a nossa juventude
A esperar que alguém ajude
E ela só quer estudar
Vejo a velhice cansada
Trabalhando, sem ter nada
Pra poder se abrigar
Vejo a morte em cada esquina
Traz o medo e nos ensina
Que a gente deve calar
Vejo irmãos que se devoram
Combatendo, enquanto choram
Sem saber por que matar
Vejo a malfadada sorte
De uma raça que foi forte
Se tornar fraca e vulgar
É tão forte o meu desejo
De ver tudo que hoje eu vejo
De repente se acabar
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
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