sábado, 27 de dezembro de 2008

No tempo da escravidão

Renato Máspero

Preto velho, sentado num tôco
Nos contou com emoção
Que quase que ficou louco
No tempo da escravidão

E disse pra quem quis ouvir
Que a vida lhe deu desenganos
E que envelheceu sem sorrir
Curvado no peso dos anos

E disse pra quem quis ouvir
Que a morte levou seu amor
Então aprendeu a mentir
Pra não demonstrar sua dor

E disse pra quem quis ouvir
Que os filhos não eram alguém
Mas hoje já podem sorrir
Porque já são gente também

E hoje seu povo agradece
Os olhos e as mãos para o céu
Nenhum de seus filhos esquece
Jamais da Princesa Isabel

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