domingo, 28 de dezembro de 2008

Escravo de um sonho

Renato Máspero

Durante um sono bom, reparador
A cabeça apoiada num pandeiro
Sonhei que era poeta e era cantor
Encantando mil pastoras num terreiro

Versando sobre a paz e o amor
Meu canto se estendia pelos ares
No próprio sonho eu era um sonhador
Senhor de céus, de terras e de mares

Dentre todas, uma linda pastorinha
Insistentemente olhava para mim
Estranhei tão meiga moça estar sozinha
E assim permaneceu até o fim

Fiel ao seu impulso de menina
Sorriu e o seu semblante traduziu
O amor que arde no peito, que alucina
Que só sabe explicar quem já sentiu

Emocionado fiquei eu também
Ao ver tanta franqueza de alma pura
Parei de versejar, não fui além
Magnetizado por sua candura

E em vez de ser senhor eu fui escravo
Daquela que mostrou-se toda amor
Eu que era guerreiro, era tão bravo
Deixei que um sonho fosse meu senhor

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